17 de Dezembro de 2017

Dia Internacional das Mulheres

05 de Março de 2015, por ASCOM - Agrocoop
Dia Internacional das Mulheres

Desde meados da década de 1960, convencionou-se comemorar o Dia Internacional da Mulher em 08 de março. Essa data é tida como símbolo de uma série de reivindicações e conquistas de direitos, sobretudo no âmbito trabalhista.

Para comemorar essa data republicamos aqui o texto em forma de cordel que conta a história de uma dessas bravas mulheres do Semiárido que simboliza e homenageia tantas outras com histórias similares.

Parabéns as nossas “guerreiras” do dia a dia.

Dona Maria Célia, mulhé arretada, sim senhor!

Bom dia, boa tarde, boa noite!

Se aprochegue mais faça o favor,

Puxe um tamborete, pegue uma xícara de café quente,

Aqui no pé do fogão a lenha, sentindo o calor

Do pau que morre seco pra ressuscitar fogo,

Venha ouvir o que lhe conta esse contador;

Garanto que o que relato nesses versos

Não é mentira, lorota ou conversa fiada,

O que digo é coisa seria e bela como a luz do candeeiro

Que alumia em noite que a lua tá calada,

Aqui nesse sertão de Conselheiro e Lampião

Também tem mulhé arretada,

Mulhé que se veste de coragem pra mudar a realidade,

Como Dona Maria Célia lá de Lagoa Cercada,

Sertaneja que não teme a peleja do dia a dia,

Que sonha com uma sociedade melhorada,

Cheia de candura de uma matriarca dedicada e zelosa

É também uma feminista consciente e danada!

Desde sua origem, da qual ela tem muito orgulho,

Na labuta da terra ou ao pé do engenho,

Quando acompanhava seu pai o tropeiro Pedro Sié

Fazendo garapa e rapadura com muito empenho,

Pra manter o sustento da família com dignidade

Enfrentava dificuldade com um comprometimento ferrenho;

Ainda dessa época, da infância rica de alegrias,

Ela se lembra dos dois bois que do engenho eram o motor,

O doce Arvoredo vermelho da cara branca

E o marrom Marinheiro forte como um trator,

Faziam a marcha circular e lenta da moenda todo santo dia,

E a eles ela é grata por terem feito um trabalho de tanto valor;

Dona Maria Célia também é assim, trabalhadeira e valente,

Em seu quintal de tudo tem um pouco plantado:

Carambola, manga, laranja, aipim e licuri,

Até urucum se encontra em seu cercado!

Com habilidade ela faz bolo, beijú, polpas e temperos,

Tudo muito bem feito com o sabor gostoso do Semiárido;

E ela não sossega por aí, pois sabe que a luta é diária,

Pra garantir o estudo de sua filha, não tem moleza não,

Através de um catálogo muito conhecido mundo a fora,

Vende perfume, creme, batom e loção,

Embelezurando as moças e senhoras

Garante uma renda extra, atendendo as clientes da região;

E se você já cansou só de imaginar o esforço,

Saiba que ela ainda é professora, guia de trilha e defensora da cultura,

Não perde uma capacitação ou curso,

Só de certificado ela tem mais de trinta e cinco nessa altura!

Pois todo conhecimento é pouco pra essa curiosa por natureza,

Agora ela vai criar peixe, pois também é capacitada em piscicultura;

E no meio de sua rotina ela não deixa faltar tempo

Pra dar atenção aos seus queridos animais

Cachorros, galinhas, vaca e cabritos;

E ela que de conhecimento quer sempre mais

É socorrista do corpo de bombeiros e auxiliar de enfermagem,

Eita, perto de Dona Maria Célia você tem que correr pra não ficar atrás!

Essa agricultora procura também cultivar outros campos,

Conhecedora da história de seu povo busca manter a tradição,

Em sua casa possui uma coleção de peças do passado,

Pra que se alastre o conhecimento na nova geração.

Nas festas organiza pau de sebo, ciranda, corrida do saco e fogueira,

São três dias de muita alegria, viva o São João!

Quando aparecem o desanimo e a canseira

Dona Maria Célia olha pro céu, fecha os olhos e respira fundo,

Ela conhece cada caminho da sua comunidade como sua mão,

Reconhece cada pedra, árvore e bicho. Entende o equilíbrio do mundo,

Respeita a caatinga como sua irmã,

E nesse momento se enche de um amor profundo;

E na época da chuva, quando o céu fica parecendo uma plantação de algodão cinza,

Essa sertaneja que guarda trovões em seu peito,

Sente a brisa chegando maneira, deixando à tarde cheirosa,

Observa as primeiras águas espantarem a poeira do terreiro,

E então ela se banha na chuva junto com a natureza,

Porque pra ela nada serve pela metade, tem que ser inteiro;

Ela sabe que o mundo tá todo diferente agora,

Mas Dona Maria Célia não se assusta,

Ela tem fé que coisas boas vão acontecer,

Por isso não sossega de sua busca

Em prol de seu povo e da caatinga que tanto ama,

Ela acredita numa sociedade mais justa;

Dona Maria Célia sabe que as coisas vão melhorar ainda mais,

Porque ela já conquistou uma grande invenção,

Batizada com o nome de tecnologia social,

Uma bela e imponente cisterna - calçadão,

Pra fazer par com a de consumo

Que ela descreve como: “Minha vida, meu coração”.

Foto / imagem: Higor Soares
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