15 de Dezembro de 2017

Cidadania para transformação social

15 de Agosto de 2013, por Higor Soares
Cidadania deveria ser matéria didática, praticada desde as séries primárias, para que de fato pudéssemos formar cidadãos.
Cidadania para transformação social

Cidadania é o conjunto de direitos e deveres aos quais todos os indivíduos estão sujeitos em relação à sociedade em que vivem. A expressão se origina do latim “civitas”, que era a maneira pela qual eram trados os habitantes da cidade na Roma antiga (exceto mulheres, escravos, crianças e outros). O conceito de cidadania é formado por dois arcos que se completam ao formarem um circulo, aja vista que em uma sociedade civilizada, direitos pressupõe a contrapartida de deveres, uma vez que vivendo em coletividade os direitos do Cidadão são garantidos a partir do cumprimento dos deveres dos demais componentes da sociedade.

Entretanto o conceito de cidadania com o passar do tempo ganhou significado bem mais amplo, exemplo disso é o emprego da palavra para referir-se a direitos humanos, ou direitos do consumidor, ou usar o termo cidadão para dirigir-se a um indivíduo qualquer, desconhecido.

O filosofo Platão vislumbrou em “A República” uma sociedade voltada para o ideal de Bem comum onde o egoísmo está superado, e as paixões controladas. Esse sonho utópico acompanha a história do homem e se faz presente no documento de maior expressão de cidadania do Brasil, a Constituição Federal de 1988, onde no preâmbulo diz: “... destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias [...]” e institui como um de seus princípios fundamentais a cidadania.

É verídico que vários direitos (e deveres) foram conquistados, o que deveria assegurar uma vida mais digna e próspera à humanidade, entretanto, é ingênuo acreditar que o conglomerado de regras, normas e direitos, sejam eles leis, tradições ou apenas bom senso, sejam suficientes para garantir a cidadania em sua plenitude. Sua pratica deve ser exercitada, exemplificada e, evidentemente, ensinada, não apenas em casa, mais de maneira ampla, de forma que atinja a todos.

Cidadania deveria ser matéria didática, praticada desde as séries primárias, para que de fato pudéssemos formar cidadãos. Claro que a tarefa não é fácil, não se embute uma nova rotina a uma sociedade em pouco tempo, mais difícil ainda em uma população que não tem o hábito de exercer a sua cidadania. Uma pesquisa divulgada pelo Ibope em novembro de 2003 revela que 56% dos brasileiros não têm vontade de participar das práticas capazes de influenciar nas políticas públicas. 35% nem tem conhecimento do que sejam essas práticas e 26% acham esse assunto “chato demais” para se envolver com ele.

O jurista Dalmo Dallari, em seu livro Direitos Humanos e Cidadania (Ed. Moderna, 1998), define bem a visão geral desse contexto quando afirma: “Somos filhos e filhas de uma nação nascida sob o signo da cruz e da espada, acostumados a apanhar calados, a dizer sempre 'sim senhor', a 'engolir sapos', a achar 'normal' as injustiças, a termos um 'jeitinho' para tudo, a não levar a sério a coisa pública, a pensar que direitos são privilégios e exigi-los é ser boçal e metido [...]”.

Cabe a cada um, também, avaliar o seu comprometimento com “a coisa toda”, afinal não adianta cobrarmos o que não ofertamos ou simplesmente esperarmos que as mudanças ocorram ao acaso. Faz-se necessário uma mudança de postura e comportamento dos indivíduos candidatos a cidadãos no intuito de uma sociedade mais justa.

“Bastará nunca sermos injustos para estarmos sempre inocentes?” – (Jean Jacques Rousseau / 1712-1778).


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